domingo, 30 de junho de 2013

ATÈ SEMPRE CARDEAL



Vivemos num país onde se instalou uma cultura do maldizer. Produzir um elogio torna-se quase uma coisa rara, reconhecer os méritos de alguém, quase uma blasfémia contra a corrente que exacerba a culpa, que humilha e despreza o Outro.
Não é um sinal dos tempos. É um sinal de ausência de autoestima coletiva e individual, de uma pobreza cultural e espiritual histórica fundada no egoísmo e no desejo de sobrevivência medíocre em que os valores da alteridade, do reconhecimento, do aplauso remetem para o universo dos mitos e ignoram aqueles que contribuíram para o crescimento e valorização do nosso país. Não duvido, por isso, que por estes dias, serão mais as páginas dedicadas às férias de Ronaldo e de Irina do que aquelas que vão reconhecer a figura deste grande homem da Igreja que se despediu com humildade do Patriarcado de Lisboa.
D. José Policarpo parte e deixa atrás de si uma imensa obra. Quer como Cardeal, quer como Professor. Um sábio, ousado e honrado homem da tolerância e do respeito pelos outros, firme nas suas convicções e corajoso nas decisões e nas palavras. Deixa a função num momento particularmente difícil da Igreja no quadro europeu e do país. A idade manda mais do que a vontade dos homens.
O mesmo aconteceu com Bento XVI. Mas não posso deixar de sublinhar o desprendimento ao poder, a humildade com que o entregou ao seu sucessor e a disponibilidade para continuar, dentro das suas capacidades, para servir e realizar a vocação que abraçou há mais de cinquenta anos: servir a sua Igreja para assim servir as suas gentes. A nossa gente.
Eu sei que não é possível confundir as estruturas de pensamento de um religioso com alguém que se dedicou à política e à causa pública. São naturezas e objetivos diferentes, embora as finalidades sejam as mesmas. Servir a comunidade, acrescentando-lhe bens de conforto materiais e espirituais.
Servir com desprendimento, servir com a generosidade de quem se entrega por paixão à nobre arte de saber ajudar os outros. Talvez haja no mundo da política, e de outros poderes que nasceram para servir os cidadãos, quem tenha aprendido o valor simbólico deste desprendimento de D. José Policarpo. Nem que seja só meia dúzia, valeu a pena. Por mim, deixo-lhe um abraço de saudade e gratidão.

sábado, 22 de junho de 2013

COIMBRA

Universidade de Coimbra é Património Mundial da Humanidade

A Universidade de Coimbra foi classificada Património Mundial da Humanidade, uma classificação atribuída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).


A minha terra


Almada tem em São João Baptista o seu padroeiro do Povo. Do lado certo da vida Almada é terra de solstício.

 

Viver o Solstício de Verão nas doiradas areias do Grande Areal é sentir o Mundo que avança. O mar, o nosso Mar, mar único que nos une e nos inspira, tem hoje um marulhar mais suave. A musa “Atlantis”, a nossa musa inspiradora, inspira-nos a poetar como nunca antes aconteceu. Bendita Sejas!

Sempre a recordo com infinita saudades e lá que continua o meu coração de criança .

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Paimogo


Toda a nossa costa é muito bonita em qualquer época do ano, hoje fui até Paimogo, entre o mar e os terrenos que este ano de muita chuva estão muito verdes , as alcachofas estão todas abertas não há quem as vá apanhar, na minha juventude eram queimadas nas fogueiras dos santos populares .
O saltar á fogueira era esperado por os jovens com muita alegria, era o apanhar a lanha e o pedir um tostãozinho para o S António as alcachofas eram vendidas era uma maneira que os miúdos arranjarem uns trocos.
Bons tempos.
Manuela Mergulhão

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Santo Antonio

 Santo António nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade (Porta do Mar), que se pensa ter sido o local onde, mais tarde, se ergueu a Igreja em sua honra.
 
 Tendo então o nome de Fernando, fez na vizinha Sé os seus primeiros estudos, tomando mais tarde, em 1210 ou 1211, o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho, em São Vicente de Fora, pela mão do Prior D. Estêvão.
 
 Ali permaneceu até 1213 ou 1214, data em que se deslocou para o austero Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde realizou os seus estudos superiores em Direito Canónico, Ciências, Filosofia e Teologia.
 
 Segundo a tradição, talvez um pouco lendária, o Santo tinha uma memória fora do comum, sabendo de cor não só as Escrituras Sagradas, como também a vida dos Santos Padres.
 
 As relíquias dos Santos Mártires de Marrocos que chegaram a Coimbra em 1220, fizeram-no trocar de Ordem Religiosa, envergando o burel de Frade Franciscano e recolher-se como Eremita nos Olivais (em Coimbra). Foi nessa altura que mudou o seu nome para António e decidiu deslocar-se a Marrocos, onde uma grave doença o reteve todo o inverno na cama. Decidiram os superiores repatriá-lo como medida de convalescença.
 
 Quando de barco regressava a Portugal, desencadeou-se uma enorme tempestade que o arrastou para as costas da Sicília, sendo precisamente na Itália que iria revelar-se como teólogo e grande pregador.
 
 Em 19 de Março de 1222, em Forli, falou perante religiosos Franciscanos e Dominicanos recém ordenados sacerdotes e tão fluentemente o fez que o Provincial pensou dedicá-lo imediatamente ao apostolado.
 
 Fixou-se em Bolonha onde se dedicou ao ensino de Teologia, bem como à sua leitura. Exercendo as funções de pregador, mostrou-se contra as heresias dos Cátaros, Patarinos e Valdenses. Seguiu depois para França com o objectivo de lutar contra os Albijenses e em 1225 prega em Tolosa. Na mesma época, foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e seria custódio da Província de Limoges, um cargo para que foi eleito pelos Frades da região. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha.
 
 Assistiu à canonização de São Francisco em 1228 e deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença. Durante 1229 as suas pregações dividiram-se entre Vareza, Bréscia, Milão, Verona e Mântua. Esta actividade absorvia-o de tal maneira que a ela passou a dedicar-se exclusivamente. Em 1231, e após contactos com Gregório IX, regressou a Pádua, sendo a Quaresma do ano seguinte marcada por uma série de sermões da sua autoria.
 
 Instalou-se depois em casa do Conde de Tiso, seu amigo pessoal, onde morreu em 1231 no Oratório de Arcela.
 
 O facto de ter sido canonizado um ano após a sua morte, mostra-nos bem qual a importância que teve como Homem, para lhe ter sido atribuída tal honra. Este acto foi realizado pelo Papa Gregório IX, que lhe chamou "Arca do Testamento".
 
 Considerado Doutor da Igreja e alvo de algumas biografias, todos os autores destas obras são unânimes em considerá-lo como um homem superior. Daí os diversos atributos que lhe foram conferidos: "Martelo dos hereges, defensor da fé, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da Itália, honra das Espanhas, glória de Portugal, querubim eminentíssimo da religião seráfica, etc.".
 
 Com a sua vida, quase mítica, quase lendária, mas que foi passando de geração em geração, e com os milagres que lhe foram atribuídos em bom número, transformou-se num taumaturgo de importância especial.
 
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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Recordar


Como escritor que saiu do povo e lhe ficou fiel, doem-me duplamente os crimes que o fascismo cometeu na nossa terra. E acuso. Acuso uma ambição de poder como ainda não tivemos igual, uma obstinação que se não rende a nenhum clamor, um orgulho solitário que despreza os concidadãos, uma crueldade fria que mata a alma colectiva a frio. Quando todos devíamos estar aqui num fraternal convívio à procura de soluções para os nossos problemas ou a festejar a solução deles, consentem-nos por especial favor e a título precário que gritemos, vigiados, por justiça e liberdade. Tratados como filhos relapsos desta terra que nos viu nascer, e que amamos do fundo do coração, acusam-nos de a querer perder e destruir.

 

Mas o tempo dirá, quando a História nos julgar a todos, se os seus verdadeiros servidores foram eles, roubando, devorando, esbanjando, falsificando eleições, criando clientelas, encobrindo ignomínias, fomentando ódios, cavando abismos entre irmãos e perseguindo o espírito de todas as maneiras, ou nós, querendo alicerçar a ordem na justiça e na verdade, e desejando o espírito livre ao livre serviço da Nação.

 

(Excerto de um Texto (Palestra) de Miguel Torga, para ser lido numa reunião política que foi proibida, em 1951, in Miguel Torga, Ensaios e Discursos, Publicações D. Quixote, 2001, pág. 250)

 

 

sábado, 1 de junho de 2013

As nossas crianças

Hoje, a maior ameaça que paira sobre Portugal não tem a ver com finanças, economia, desemprego. São questões inquietantes de curto prazo. Porém, a verdadeira ameaça é o desequilíbrio demográfico que, ano após ano, vai envelhecendo o país, multiplicando lares e centros de dia e reduzindo escolas e parques infantis. Somos cada vez menos e somos cada vez mais velhos. Somos cada vez menos energia que constrói vidas, somos cada vez mais anciãos marcados pela memória e pelo passado