sexta-feira, 25 de abril de 2014

A familia

No dia em que se comemoram os 40 anos daquele que foi um dos dias mais importantes da nossa história recente - conquistada a liberdade de, entre muitas outras coisas, eu poder estar aqui a escrever estas palavras; um dia que é sinónimo, para muitos de nós, portugueses e não só, de que com determinação, ideais e civismo tudo é possível, eu tenho o privilégio de somar também a comemoração das bodas de ouro dos meus Pais. Sim... é verdade! Os meus pais, como se não bastasse toda a história da sua vida que daria a adaptação maravilhosa de um romance biográfico digno de bater recordes de venda, casaram, precisamente, 10 anos antes do nosso 25 de Abril. Ou seja, hoje é, para nós, um dia duplamente memorável: 40 anos de Abril/50 anos de casamento e, claro, outros tantos de vida em comum.
 
 A sua história, que vou desenvolver um pouco e partilhar algumas fotos para não me chamarem mentirosa  é uma lição de vida extraordinária. Sabiam que a minha mãe teve a coragem de ir ter com o meu pai a África depois de ter estado cerca de dois meses sem saber dele e, destemida (agora sei a quem saio) agarrou nela e foi ter com ele tendo posto a própria vida em risco? Mas valeu a pena? Sem dúvida! Foram os momentos mais felizes da vida de ambos! Chegou a andar de metralhadora em punho e foi "adoptada" pelo p
 
 Tenho o privilégio de ter uns progenitores maravilhosos que me inculcaram o espírito que me leva a escrever aqui estas palavras, assim como os valores que aqueles que me conhecem neles me revêm. Têm, com os seus naturais defeitos, uma dimensão humana extraordinária e só lamento que a vida não tenha sido mais generosa com eles porque se há quem mereça são os meus queridos pais. Amanhã eu e a minha irmã temos reservada uma surpresa - singela - mas com todo o amor que sabemos dar.
 
 Aos nossos pais a eterna gratidão por tudo o que nos têm dado e pelos seres maravilhosos que são e sem os quais não saberíamos orientar-nos. Obrigada!
 — com Noémia Costa e Paula Costa. (

Bela homenagem das vossas filhas.

domingo, 20 de abril de 2014

NASCEMOS PARA SER FELIZ


Procuro novas marés

 

 se a gente nascesse para não ser feliz

 porque a natureza se aperfeiçoaria em tão belos detalhes

 

 A noite pode não ter sido calma

 o dia pode ter amanhecido triste

 na esperança de que amanhã

 será outro mar outras marés

 (e)

 eu estarei lá na beira das ondas

 com conchas de esperança nas mãos

 e arco-íris no olhar.

 

 Ester Cid.

sábado, 19 de abril de 2014

A minha Páscoa

Nesta tarde de sábado estas fotografias do Areal da nossa praia
fica a recordação de momentos descontraídos da minha filha
e neto .Neste domingo de Páscoa te agradeço Senhor a minha
caminhada nestes últimos tempos que não têm fácil
mas sei bem que sempre te tenho a meu lado sem Ti não
seria possível.

O Folar da Páscoa

Reza a lenda que o folar da Páscoa apareceu porque, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo.
Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos.
A jovem pediu ajuda a Santa Catarina para a escolha certa e, marcou como limite ao pedido de casamento, o Domingo de Ramos.
No dia do Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador  se tinham encontrado no caminho e que se defrontavam numa luta de morte.
Mariana correu ao local e, depois de ter pedido ajuda a Santa Catarina, soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.
Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe haviam dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro.
Mariana rezou e a imagem da Santa sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi colocar flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que na mesa estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha colocado no altar. Correu a casa de Amaro mas, encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido um bolo semelhante. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.
Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costuma levar, no Domingo de Ramos, um ramo e violetas à madrinha e batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

sábado, 29 de março de 2014

Envelhecemos

Envelhecemos!
 
 Envelhecemos, quando aqueles que estão ao nosso redor são cada vez menos, e aqueles que partiram são cada vez mais.
 Envelhecemos, quando os lugares na mesa da vida vão ficando vazios e sabemos, por fim, já não existir ninguém para os ocupar dignamente.
 Envelhecemos, quando somamos mais memórias que esperanças, e mais recordações que sonhos.
 Envelhecemos quando nos descobrimos fragmentados, pois aqueles que partem não vão sós, levam com eles um pedaço irrecuperável de nós!
 
 Teresa Afonso
 

Lindo poema de Miguel Torga neste DIA MUNDIAL DA POESIA

Quase um Poema de Amor
"Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor....
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo
um poema de amor."

quinta-feira, 27 de março de 2014

Paimogo praia que o vio crescer

melhor baía do Mundo – PAIMOGO!
 
 Uma baía que tem “passado” de geração em geração, desde os meus avós aos meus pais e a mim.
 Desde que me conheço que aqui venho.
 A maior lembrança que tenho desta baía é quando passava férias como os meus avós paternos e quando estes me levavam à pesca na altura da lua cheia ou lua nova, pois nessas alturas a maré é maior, ou seja, vaza muito mais sendo assim possível chegar às melhor covas de navalheiras, polvos, safios e cabozes.
 O ritual era fantástico, na véspera da pescaria após o jantar era hora dos meus avós preparem as jangadas, há quem lhe chame caniço, mas na verdade era uma vara de Vime seca que na ponta se colocava uma rede de pesca com uma sardinha (a arte estava na colocação dessa rede e da própria sardinha, mas já não me lembro de pormenores). Era necessário verificar os camaroeiros para ver se não havia buracos na rede e colocar agarrado ao mesmo um bicheiro (um pau que na ponta tinha um gancho, não fosse aparecer um polvo dos grandes que não desse para apanhar à mão).
 
 No dia seguinte a alvorada era conforme o horário da maré, pois era importante começar a pescar 2h horas antes da maré estar totalmente vazia e apanhar ainda uma horas do encher da mesma, mas normalmente era bastante cedo