segunda-feira, 26 de maio de 2014

Noite de poesia

Raios de Luz
Há dias em que o sol se esconde
O mar não me conforta,
Caminho; nem sei para onde
Sinto frio, á minha volta.
 
Há dias que tudo é coisa nenhuma
E o que de bom acontece.
São laivos de espuma,
Que aos pouco desaparece.
.
Mas depois!
Neste escuro de breu,
Existem faróis
Que brilham como mil sóis,
E eu; Sinto que cada um, com pinceladas de cor
Pintam o que é meu
                                                                                                           Transformando este bem
Em Arco-Íris de amor
Há!
Se eu soubesse pintar um quadro;
Pintaria o mar, com raios de sol de luz e doirado,
Mas como não sei pintar,
Venho só declamar. 
.
 
Anónimo
 
 
 

sábado, 10 de maio de 2014

Voaram os anos e a nossa esperança


Mais uma maravilhosa e excelente crónica do Nuno Gomes dos Santos, publicada ontem no Avante!

"«Só o dia da mudança
é que ainda não sei»

São coisas de mais, para mim, que tenho coisas de menos. São 40 anos que, não sendo de mais, são, ainda, de menos. De um harpejo rápido e estonteante soam-me as notas, nítidas, que cantam o fim da guerra, o fim da censura, a Liberdade, eleições, a Constituição, legalização de partidos, Poder Local Democrático. A música é barroca, um vira, uma valsa a mil tempos, um som de banjo petessegeriano a perguntar por flores com uma resposta de cravos, um povo nas ruas a dizer que é ele quem mais ordena, um Maio primeiro e fraterno prenhe de trabalhadores diversos a dizer se isto não é o povo onde é que está o povo, olha o Saramago, o Urbano, o Manuel da Fonseca, o Carlos taxista, a Necas estudante, o vizinho do lado, a florista do Rossio, o amigo da Lisnave, a malta do Canto Livre, o Álvaro, o Soares, o Morais e Castro, a dona da capelista, o mecânico de automóveis lá da rua, todos, lado a lado, o povo.

Depois a azáfama de dar largas ao grito, de dar voz ao futuro, de fazer coisas como limpar monumentos num domingo prescindindo do lazer e dando graças à liberdade de poder escolher serviço público, os soldados na alfabetização, a terra a quem a trabalha, os olhos de Jorge de Sena a verem a liberdade a passar por aqui, o Zeca, o Paredes, o Adriano, nós todos a darmos as boas vindas ao Zé Mário, ao Luís Cília, ao Sérgio, ora vivam!, vamos cantar juntos acusando quem nos torturou, clamando o merecimento dos prémios de produção em Loures, exaltando esta ou aqueloutra comissão de trabalhadores ou de moradores, viva o MFA, a aliança Povo-MFA, vivam os trabalhadores, viva (agora sim) Portugal.

Milhares de portugueses foram, como a toupeira da cantiga do Zeca, os construtores subterrâneos dos caboucos da data em que a Liberdade emergiu. Sofreram, lutaram, muitos morreram. Em Almada um Monumento aos Perseguidos evoca-os. Na memória de muitos a sua lembrança não mais se apagará. Foi uma luta de anos e anos de clandestinidade e de sofrimento.

Agora, volvidos 40 anos sobre a Revolução dos Cravos, olhando para as traições, os desenganos, as falsas promessas, o roubo de salários e pensões, o ataque feroz à classe média, os disparos de napalm ao Serviço Nacional de Saúde, o convite à emigração de jovens, professores e operários qualificados, perpetuados pelos partidos do chamado «arco da governação» (como se houvesse um decreto, um artigo constitucional, que decretassem que só esses podem governar...), olho à minha volta e vejo amargura. Mas vejo – e é com um sorriso nos olhos que vejo – o povo nas ruas, no 25 de Abril de 2014, ainda e sempre a clamar que «somos muitos, muitos mil para continuar Abril».

Escrevi uma cantiga, recentemente, que termina assim: «só o dia da mudança é que ainda não sei». Exatamente porque sei da mudança que, quer os vampiros de que fala o Zeca queiram ou não, virá. Como disse Saramago uma vez, e hoje, decerto, diria de novo: «chegará (outra vez) o dia das sopresas».

Há-de ser, como escreveu Sophia de Mello Breyner, num outro dia que será, de novo, «inicial inteiro e limpo». Quando? «Ainda não sei»."

De: Nuno Gomes dos Santos

In Avante!

Foto de Paula Cabeçadas



 

 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A familia

No dia em que se comemoram os 40 anos daquele que foi um dos dias mais importantes da nossa história recente - conquistada a liberdade de, entre muitas outras coisas, eu poder estar aqui a escrever estas palavras; um dia que é sinónimo, para muitos de nós, portugueses e não só, de que com determinação, ideais e civismo tudo é possível, eu tenho o privilégio de somar também a comemoração das bodas de ouro dos meus Pais. Sim... é verdade! Os meus pais, como se não bastasse toda a história da sua vida que daria a adaptação maravilhosa de um romance biográfico digno de bater recordes de venda, casaram, precisamente, 10 anos antes do nosso 25 de Abril. Ou seja, hoje é, para nós, um dia duplamente memorável: 40 anos de Abril/50 anos de casamento e, claro, outros tantos de vida em comum.
 
 A sua história, que vou desenvolver um pouco e partilhar algumas fotos para não me chamarem mentirosa  é uma lição de vida extraordinária. Sabiam que a minha mãe teve a coragem de ir ter com o meu pai a África depois de ter estado cerca de dois meses sem saber dele e, destemida (agora sei a quem saio) agarrou nela e foi ter com ele tendo posto a própria vida em risco? Mas valeu a pena? Sem dúvida! Foram os momentos mais felizes da vida de ambos! Chegou a andar de metralhadora em punho e foi "adoptada" pelo p
 
 Tenho o privilégio de ter uns progenitores maravilhosos que me inculcaram o espírito que me leva a escrever aqui estas palavras, assim como os valores que aqueles que me conhecem neles me revêm. Têm, com os seus naturais defeitos, uma dimensão humana extraordinária e só lamento que a vida não tenha sido mais generosa com eles porque se há quem mereça são os meus queridos pais. Amanhã eu e a minha irmã temos reservada uma surpresa - singela - mas com todo o amor que sabemos dar.
 
 Aos nossos pais a eterna gratidão por tudo o que nos têm dado e pelos seres maravilhosos que são e sem os quais não saberíamos orientar-nos. Obrigada!
 — com Noémia Costa e Paula Costa. (

Bela homenagem das vossas filhas.

domingo, 20 de abril de 2014

NASCEMOS PARA SER FELIZ


Procuro novas marés

 

 se a gente nascesse para não ser feliz

 porque a natureza se aperfeiçoaria em tão belos detalhes

 

 A noite pode não ter sido calma

 o dia pode ter amanhecido triste

 na esperança de que amanhã

 será outro mar outras marés

 (e)

 eu estarei lá na beira das ondas

 com conchas de esperança nas mãos

 e arco-íris no olhar.

 

 Ester Cid.

sábado, 19 de abril de 2014

A minha Páscoa

Nesta tarde de sábado estas fotografias do Areal da nossa praia
fica a recordação de momentos descontraídos da minha filha
e neto .Neste domingo de Páscoa te agradeço Senhor a minha
caminhada nestes últimos tempos que não têm fácil
mas sei bem que sempre te tenho a meu lado sem Ti não
seria possível.

O Folar da Páscoa

Reza a lenda que o folar da Páscoa apareceu porque, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo.
Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos.
A jovem pediu ajuda a Santa Catarina para a escolha certa e, marcou como limite ao pedido de casamento, o Domingo de Ramos.
No dia do Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador  se tinham encontrado no caminho e que se defrontavam numa luta de morte.
Mariana correu ao local e, depois de ter pedido ajuda a Santa Catarina, soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.
Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe haviam dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro.
Mariana rezou e a imagem da Santa sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi colocar flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que na mesa estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha colocado no altar. Correu a casa de Amaro mas, encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido um bolo semelhante. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.
Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costuma levar, no Domingo de Ramos, um ramo e violetas à madrinha e batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

sábado, 29 de março de 2014

Envelhecemos

Envelhecemos!
 
 Envelhecemos, quando aqueles que estão ao nosso redor são cada vez menos, e aqueles que partiram são cada vez mais.
 Envelhecemos, quando os lugares na mesa da vida vão ficando vazios e sabemos, por fim, já não existir ninguém para os ocupar dignamente.
 Envelhecemos, quando somamos mais memórias que esperanças, e mais recordações que sonhos.
 Envelhecemos quando nos descobrimos fragmentados, pois aqueles que partem não vão sós, levam com eles um pedaço irrecuperável de nós!
 
 Teresa Afonso