domingo, 22 de dezembro de 2013

CARLOS EDUARDO LEAL, conto gentilmente escrito para esta página, no Natal de 2012

UM CONTO DE NATAL

Noutro dia vi uma criança abandonada. Mendiga da vida. Desagasalhada de pai e mãe. O frio que ela sentia podia ser notado em seus olhinhos assustados. Aproximei-me devagarinho. Você quer alguma coisa? Perguntei. Tenho sede. Dei-lhe água. O que você quer mais? Tenho fome, respondeu. Dei-lhe de comer. Por fim, perguntei: qual o seu nome? Jesus. Com lágrimas nos olhos, pensei que era ele que deveria estar me dando o que beber e o que comer, assim como Jesus Cristo havia feito com a multiplicação dos pães e dos peixes. Num gesto espontâneo, estendi-lhe a mão e disse: venha! Não posso, foi sua resposta. Estou esperando pela minha mãe. Ela está aqui? Vai chegar, tenho certeza. E, já temendo pela resposta, perguntei qual era o nome dela. Maria. E o teu pai? Meu pai morreu, mas tenho muita saudade dele. Ele continua vivo em mim. Disse o menino agora com sua vozinha embargada. E, já com o coração aos sobressaltos, resolvi perguntar qual era o nome de seu pai. Então, pela primeira vez ele olhou bem dentro dos meus olhos e disse: Mas até hoje você ainda não sabe?

Que o espírito do Natal possa estar em cada um de nós e em todos os seres humanos que muitas vezes são invisíveis a nós na correria da vida.

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