O proprietário da Casa
dos Patudos em Alpiarça nasceu na Golegã em 1858, tendo falecido em Alpiarça em
1929. Filho de lavradores abastados, aderiu ao Partido Republicano já com 50
anos de idade; na vida política, foi ministro das Finanças logo a seguir à
proclamação da República e foi ele o responsável pelas reformas estruturais que
viriam a conduzir à introdução do Escudo. Foi Embaixador de Portugal em Madrid;
foi escolhido pelos seus pares para ser o proclamador da República, na varanda
da Câmara Municipal de Lisboa, em 5 de Outubro de 1910. A visita à sua casa é
uma viagem ao nascimento de um novo sentido de cidadania, espelhado no brilho das
inúmeras obras que constituem o espólio deste Republicano. Cerâmicas e pintura
de Columbano Bordalo Pinheiro, ou magnífica faiança portuguesa; arraiolos de
fio de seda em tela de linho, ou alguns exemplares da mais brilhante azulejaria
portuguesa, estão pontuados por originais de José Malhoa, Silva Porto ou
Constantino Fernandes, numa colecção de pintura notável. Peças da Companhia das
Índias surgem nesta colecção pessoal e legado inigualáveis, acompanhadas por
cerâmicas Vista Alegre primitivas ou mobiliário estilo Império (francês).
Embora a distribuição de electricidade só tenha chegado ao concelho mais tarde,
José Relvas tinha mandado electrificar a casa, no melhor espírito da época e da
reinvenção das noções de prosperidade e progresso daquele início de século. A
visita é, no fundo, uma monografia íntima sobre um homem público.


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