O artista Alexandre Farto, que assina como Vhils, criou o rosto
de Amália Rodrigues em calçada portuguesa, em colaboração com calceteiros da
Câmara de Lisboa, uma obra que será desvendada na quinta-feira e vai ser capa
de um disco.
A obra, que teve “dois a três meses de preparação mais quatro
semanas de trabalho com os calceteiros” da Câmara de Lisboa e da Escola de
Calceteiros de Lisboa, é a primeira de Vhils em calçada portuguesa, contou o
próprio à agência Lusa.
Alexandre Farto escolheu trabalhar com este material, “muito
importante para a história de Lisboa”, para “valorizar o lado artístico da
calçada portuguesa e os calceteiros”. “A ideia era mais fazer uma colaboração
com os calceteiros do que ter uma obra minha, misturando duas linguagens e
fazendo um paralelismo com a arte pública mais antiga da cidade”, disse.
O desafio para criar o rosto da fadista partiu de Ruben Alves, o
realizador de “A Gaiola Dourada”, que quando idealizou a capa do disco que
andava a preparar – “Amália, As Vozes do Fado”, uma homenagem com fadistas da
nova geração – se lembrou que “o fado é uma música urbana que nasceu nas ruas”,
tal como o trabalho de Vhils.
“Ele aceitou logo o desafio e foi mais longe do que a minha
proposta, sugerindo que o rosto fosse feito em calçada portuguesa”, contou
Ruben Alves à Lusa.
Apesar de ser em calçada portuguesa, o retrato “aparece como uma
onda do mar que [começa no chão e] subiu a parede”, explicou Vhils,
acrescentando: assim, quando chover, “faz chorar as pedras da calçada”, havendo
uma ligação ao fado.

Sem comentários:
Enviar um comentário