História
A data de edificação da Quinta da Cerca
permanece ainda vaga, sabendo-se apenas que se trata de um solar típico dos
séculos XVII-XVIII.
A capela terá sido
construída numa fase posterior à da construção do edifício principal.
Sabe-se que o tecto da capela foi trazido da Quinta do Pombal, também em
Almada, na altura em que a quinta pertencia à família Teotónio
Pereira. Pensa-se que a Quinta da Cerca e o antigo Convento de S. Paulo
terão sido um única propriedade, devido à proximidade dos dois edifícios e à
confluência dos seus terrenos.
Durante as Invasões
Francesas esta casa serviu de aquartelamento ao regimento de Junot sedeado em
Almada.
A quinta foi passando
de proprietário em proprietário, até ser totalmente abandonada. Em 1974, após a
revolução do 25 de Abril, a casa é ocupada por alguns serviços do Hospital de
Almada, que necessitava de espaço.
Em 1988 a Casa da Cerca é comprada pela Câmara Municipal de Almada e
restaurada.
A reutilização do espaço começa ainda em 1989, com a VI Festa de Teatro de
Almada. Desde então todas as edições do Festival Internacional de Teatro de
Almada são, anualmente, apresentadas na Casa da Cerca.
Abre as portas como
Centro de Arte Contemporânea em 1993, recebendo desde essa data reconhecidos
artistas e exposições, de projecção nacional e internacional.
Arquitectura
A Casa da Cerca insere-se nas tradicionais quintas de recreio, tendo sido
alvo de várias intervenções ao longo dos séculos cujas marcas perduram na
linguagem barroca e romântica do edifício.
Pensa-se que o nome da Quinta tem a ver com a proximidade a uma das cercas da
zona mais antiga de Almada, que assegurava a defesa da vila desde a Idade
Média. A própria rua onde se situa o actual Centro de Arte Contemporânea
chama-se Rua da Cerca e ainda são visíveis parcelas dessa “cerca”. A Quinta da
Cerca prolonga-se por 14 000 m2 tendo sido, em tempos, composta por logradouro,
terras de semeadura, vinhas, horta, pomar e jardim. Actualmente conserva a
capela, a cisterna e arrecadação.
A Quinta da Cerca revela um modelo clássico da arquitectura civil dos séculos
XVII – XVIII, através de uma planta em U, de fachadas simples e lineares, sendo
este edifício considerado o maior e mais característico exemplar de
arquitectura civil setecentista da cidade.
Pensa-se que poderá
ter sido moradia de uma família da burguesia ascendente ou talvez casa de
férias de uma família nobre.
Os azulejos que decoram a capela são
setecentistas, de desenho figurativo a azul cobalto, representando a
Anunciação, a Visitação, a Adoração dos Pastores, a Adoração dos Magos, s.
Francisco, Stº António e o Cristo Crucificado.