sexta-feira, 4 de julho de 2014

A partida


Lembrava muitas vezes a vida em pequeno na Lourinhã. Os dias em que jogou futebol. As horas que passava a treinar os remates à baliza, de diversos ângulos. “Só precisava de alguém que me devolvesse a bola”, dizia.

Recordava a mãe, o pai, a devoção em excesso da mãe, as memórias que partilhou com a família e amigos e que agora partem com ele.

O coração onde guardava a paixão, atraiçoou-o ao fim de 66 anos. Queria viver, tinha vontade de viver.

Apesar das restrições que a saúde lhe impunha gostava de trabalhar e estava sempre pronto para escrever mais umas linhas ou para gravar um comentário. Recordava os tempos da televisão, quando marcou um período importante do jornalismo desportivo. Era o rosto do desporto na televisão portuguesa e da Volta a Portugal.

Uma memória única, recordava tudo, até os momentos mais duros como o saneamento do Diário de Notícias pelas mãos de Saramago. Mas sempre sem rancor.

Adorava as cadernetas de cromos. Comprava carteirinhas “para o filho” e gostava de as concluir. Comentava as coleções que lhe trazia o filho ou os amigos do estrangeiro.

Foi um Amigo, com quem tive o prazer de me cruzar. Um Amigo que tristemente vejo partir e que deixa um vazio.

Até sempre, Amigo Rui!

·          

 A partida dos que nos habituámos a ver neste pequeno ecrã, e mais ainda quando vimos crescer este Lourinhanense a mágoa ainda é maior ,mas é a partida certa mas que nunca se está preparado.
Descanse em paz . 
Manuela     

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