Lembrava muitas vezes a vida em pequeno na Lourinhã. Os
dias em que jogou futebol. As horas que passava a treinar os remates à baliza,
de diversos ângulos. “Só precisava de alguém que me devolvesse a bola”, dizia.
Recordava a mãe, o pai, a devoção em excesso da mãe, as
memórias que partilhou com a família e amigos e que agora partem com ele.
O coração onde guardava a paixão, atraiçoou-o ao fim de 66
anos. Queria viver, tinha vontade de viver.
Apesar das restrições que a saúde lhe impunha gostava de
trabalhar e estava sempre pronto para escrever mais umas linhas ou para gravar
um comentário. Recordava os tempos da televisão, quando marcou um período
importante do jornalismo desportivo. Era o rosto do desporto na televisão
portuguesa e da Volta a Portugal.
Uma memória única, recordava tudo, até os momentos mais
duros como o saneamento do Diário de Notícias pelas mãos de Saramago. Mas
sempre sem rancor.
Adorava as cadernetas de cromos. Comprava carteirinhas
“para o filho” e gostava de as concluir. Comentava as coleções que lhe trazia o
filho ou os amigos do estrangeiro.
Foi um Amigo, com quem tive o prazer de me cruzar. Um
Amigo que tristemente vejo partir e que deixa um vazio.
Até sempre, Amigo Rui!
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