sexta-feira, 4 de julho de 2014

A partida


Lembrava muitas vezes a vida em pequeno na Lourinhã. Os dias em que jogou futebol. As horas que passava a treinar os remates à baliza, de diversos ângulos. “Só precisava de alguém que me devolvesse a bola”, dizia.

Recordava a mãe, o pai, a devoção em excesso da mãe, as memórias que partilhou com a família e amigos e que agora partem com ele.

O coração onde guardava a paixão, atraiçoou-o ao fim de 66 anos. Queria viver, tinha vontade de viver.

Apesar das restrições que a saúde lhe impunha gostava de trabalhar e estava sempre pronto para escrever mais umas linhas ou para gravar um comentário. Recordava os tempos da televisão, quando marcou um período importante do jornalismo desportivo. Era o rosto do desporto na televisão portuguesa e da Volta a Portugal.

Uma memória única, recordava tudo, até os momentos mais duros como o saneamento do Diário de Notícias pelas mãos de Saramago. Mas sempre sem rancor.

Adorava as cadernetas de cromos. Comprava carteirinhas “para o filho” e gostava de as concluir. Comentava as coleções que lhe trazia o filho ou os amigos do estrangeiro.

Foi um Amigo, com quem tive o prazer de me cruzar. Um Amigo que tristemente vejo partir e que deixa um vazio.

Até sempre, Amigo Rui!

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 A partida dos que nos habituámos a ver neste pequeno ecrã, e mais ainda quando vimos crescer este Lourinhanense a mágoa ainda é maior ,mas é a partida certa mas que nunca se está preparado.
Descanse em paz . 
Manuela     

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Dor sem fim

Judite, Pedro e todos os pais que perdem os seus filhos: não há palavras que vos aconcheguem a alma. Não há nada. Pouco resta depois da morte de um filho. Sobrevive-se, mas deixa de se viver. Rasga-se o coração, o céu e o chão e não há grito que atenue a dor. Chora-se tudo de uma vez, chora-se a vida toda, chora-se com lágrimas e sem elas, com gemidos e em silêncio. O que agora é um corpo sem alma, o da mãe, foi outrora um corpo em flor, que gerou a vida mais bonita do mundo inteiro. E que agora parte para nunca mais voltar. Para nunca mais abraçar, beijar, conversar. Para nunca mais ouvir. A Judite, que só tem um filho, nunca mais ouvirá a palavra “Mãe” para a chamar. Tal como o Pedro não ouvirá a palavra “Pai”. Amamos um filho como não amamos mais ninguém. Este Amor corre-nos nas veias, sacode-nos a vida, justifica tudo. Ensinar um filho é uma das muitas tarefas dos pais, mas ninguém ensina os pais a atenuar a dor da morte de um filho. Porque se olha para o horizonte e não se vê nada. Deixa de haver amanhã. Ou até logo. Ou “mãe, não venho jantar”, ou “mãe hoje venho mais tarde mas dorme que eu estou bem.” Claro que, até se ouvir a porta, não se dorme. Mas não se admite. Faz parte.
 Os filhos quando perdem os pais ficam órfãos. Para os pais que perdem os filhos, o dicionário nem encontrou um nome. Porque para esses, fica o vazio. Para sempre. Força e Amor, é o que desejo à Judite. Ao Pedro. A todos os pais que ficam sem coração.

quarta-feira, 25 de junho de 2014


O meu país sabe a amoras bravas

 no verão.

 Ninguém ignora que não é grande,

 nem inteligente, nem elegante o meu país,

 mas tem esta voz doce

 de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

 Raramente falei do meu país, talvez

 nem goste dele, mas quando um amigo

 me traz amoras bravas

 os seus muros parecem-me brancos,

 reparo que também no meu país o céu é azul.

 

 Eugénio de Andrade

terça-feira, 10 de junho de 2014

Eu me entrego

Que a cada minuto deste dia VOCÊ SINTA o Manto Sagrado da Mãe o envolvendo, guardando e protegendo...
 Que Deus te dê um arco-íris
 Por cada tempestade;
 Um sorriso por cada lágrima;
 Um perdão por cada erro;
 Uma oportunidade para cada fracasso;
 Uma alegria por cada tristeza;
 Uma resposta por cada pedido;
 E que sempre as maiores bênçãos de Deus
 estejam especialmente sobre você e sua família
 

domingo, 8 de junho de 2014

A nossa Academia em Grândola

 
Hoje 13º encontro das "universidades da 3ª idade, em Grândola. Estávamos mil e quatrocentos alunos vindos de 40 localidades... de norte a sul, de este a oeste...e até de Leste...caminhada, visita aos Antigos Paços do Concelho, uma exposição sobre Zeca Afonso na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense e Cadeia antiga, Universidade Sénior de Grândola , receção junto ao monumento, pelas entidades oficiais e Banda, almoço e lanche, desfile das Bandeiras, baile, variedades...Grande dia, Grande festa!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Noite de Poesia no Chá-com Gelo


Entre o sono e o sonho,

 Entre mim e o que em mim

 É quem eu me suponho,

 Corre um rio sem fim.

 

 

Passou por outras margens,

 Diversas mais além,

 Naquelas várias viagens

 Que todo rio tem.

 

Chegou onde hoje habito

 A casa que hoje sou.

 Passa, se eu me medito;

 Se desperto, passou.

 

E quem me sinto e morre

 No que me liga a mim

 Dorme onde o rio corre –

Esse rio sem fim.

 
Fernando Pessoa, e