OS TEMPOS QUE CORREM| A amargura de Maria do Céu Guerra:
"Não sei se este é o meu último espectáculo.
A amargura com que
vou estrear este belo texto de Nascimento Rosa – nonagésima produção da Barraca
no seu trigésimo sétimo ano de trabalho ininterrupto – não é suportável nem
admissível.
Nenhum governo tem o
direito de ser tão desproporcionado nas suas medidas e tão arbitrário nos seus
fundamentos.
Depois do nosso
trabalho ter viajado no País, na Europa e fora dela recolhendo distinções
especiais e um carinho que estes funcionários de quem depende a sobrevivência
de companhias como esta estão longe de saber o que é
Vemos que os
Comissários de Cultura que gastam na administração dos seus sumptuários
gabinetes ,nas consultas jurídicas que lhes respaldem os embustes e nas
embaixadas milionárias em que transportam coisa nenhuma, a grande parte do
orçamento que têm para administrar e fomentar a Criação Artística, aguardam
ansiosos que A Barraca dê o seu último suspiro.
Estamos num país de
Inveja e Histórica Mediocridade. Por que razão seria agora diferente?
Desviam-se os olhos do vizinho que jáz no passeio , na pressa com que estamos
de chegar ao conforto do lar.
Como disse
Sttau Monteiro “ um país onde se cortam as árvores para que não façam sombra
aos arbustos

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