domingo, 21 de abril de 2013

Tenho saudades de Ti.

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
 sobre um fundo de manchas já da cor da terra
 - como são belas as tuas mãos
 pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos…
 Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
 E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta,
 uma luz parece vir de dentro delas…
 Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
 como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
 Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
 E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos
Mário Quintana
Este belo poema faz-me recuar ao passado, rever o meu velho pai no seu cadeirão com uma expressão de tristeza e bondade ,quanta saudade tenho desses momentos ,de ouvir a sua  voz ter podido saber o porque das tuas palavras de despedida.
 

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