sábado, 29 de setembro de 2012

Eugénio de Andrade

Poema à Mãe
 No mais fundo de ti,
 eu sei que traí, mãe
 
Tudo porque já não sou
 o retrato adormecido
 no fundo dos teus olhos.
 
Tudo porque tu ignoras
 que há leitos onde o frio não se demora
 
 e noites rumorosas de águas matinais.
 
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
 são duras, mãe,
 e o nosso amor é infeliz.
 
Tudo porque perdi as rosas brancas
 que apertava junto ao coração
 no retrato da moldura.
 
Se soubesses como ainda amo as rosas,
 talvez não enchesses as horas de pesadelos.
 

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