sábado, 29 de setembro de 2012


Poema para a Sofia Andresen

 

Não sei porque floriram no meu rosto

 os olhos e os rostos que há em ti.

 Floriram por acaso, ao sol de agosto

 sem mesmo haver agosto ou sol em mim.

 Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

 (Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

 Tão estranho! florirem no meu rosto

 olhos e rostos que não posso ver.

 

(Eugénio de Andrade, Fevereiro de 1946)

 

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