segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ficou entre nós

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in POESIA (1944), in OBRA POÉTICA (Caminho, 2010)
 
 
Senhor se eu me engano e minto,
 Se aquilo a que chamei a vossa verdade
 É apenas um novo caminho da vaidade,
 Se a plenitude imensa que em mim sinto,
 Se a harmonia de tudo a transbordar,
 Se a sensação de força e de pureza
 São a literatura alheia e o meu bem-estar,
 Se me enganei na minha única certeza,
 Mandai os vossos anjos rasgar
 Em pedaços o meu ser
 E que eu vá abandonada
 Pelos caminhos a sofrer.

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